Somos a sombra e a LUZ dos nossos hábitos

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novembro
29
Livros a não perder

Por César Ferreira

Convidei o César para nos ajudar a crescer como pessoas. Para nos ajudar a criar um movimento transformador neste espaço onde também teremos outras pessoas transformadoras. A inspiração e o saber são chave para esse objetivo. O César vai trazer esse saber através dos livros. Desafie-se a melhorar e a desenvolver-se a si mesma(o). Há um mundo novo à nossa espera quando nos conhecemos a nós próprios... Espero que vos seja útil cada livro e cada conselho. Boas leituras. Cristina Amaro



“O hábito faz o monge.” Esta célebre frase que já ouvimos vezes sem conta representa muito bem a influência que os hábitos têm na nossa vida. Os resultados que atingimos são medidos pela força dos hábitos que desempenhamos. Se pretendemos mudar a nossa vida, temos, invariavelmente, de mudar o que fazemos de forma repetida. Ou seja, os nossos hábitos.

A forma como pensamos, agimos e sentimos advém da execução automática de comportamentos. Curiosamente, a nossa atividade cerebral diminui sempre que estamos a concretizar um hábito. Este é o modo que o nosso cérebro encontrou para se poupar. Na verdade, esta é a versão preguiçosa do nosso cérebro.

A definição de hábito pode ser diferente à luz das várias teorias. Contudo, todas estas concordam que um hábito é um padrão que se cumpre quando determinada recompensa é necessária. Quando escovamos os dentes, fazemo-lo intuitivamente. Não precisamos de pensar sobre o que estamos a fazer nem de rever as etapas necessárias. Isto porque o nosso cérebro já sabe o que fazer.

Se olharmos para a nossa vida tendo em evidência os hábitos, facilmente verificamos que praticamos hábitos saudáveis e hábitos não saudáveis. Ambos têm a mesma força, por incrível que pareça. O nosso cérebro desempenha funções de acordo com as instruções que damos.

Certamente, e como a maioria das pessoas, tem hábitos de que quer libertar-se. Pois há comportamentos que não estão a dar-lhe o resultado que deseja. Estes hábitos sombra manifestam-se das mais variadas formas. Normalmente surgem como reações ou impulsos. Quando, por exemplo, falamos alto com os nossos filhos ou puxamos de um cigarro para fumar.

O lado luminoso dos hábitos é quando aquilo que cumprimos automaticamente dá uma resposta saudável a uma situação. Fazer exercício físico, ler, controlar-se perante um momento de stresse são bons exemplos de hábitos saudáveis.

Os hábitos que não queremos que continuem podem ser substituídos. Para isso, é necessário interromper o padrão que está a ser ativado no momento do hábito. Há duas formas de o fazer: através de um evento emocional significativo; ou através da substituição de um hábito por outro utilizando a repetição deliberada.

No primeiro caso, temos o exemplo de “deixei de fumar porque me foi diagnosticado um problema de saúde relacionado com o tabaco”; no segundo, o exemplo “quero ganhar elegância e para isso irei mudar a minha alimentação e fazer desporto regularmente”. Em ambas as circunstâncias os hábitos podem ser alterados.

A mente programa o hábito e o hábito recompensa a mente. A prova disto é que, mesmo antes de eu executar a rotina de certo hábito, a minha mente já anseia pela recompensa que terá quando esse hábito for executado. É interessante perceber esta dialética, dado que é este entendimento que me permitirá realizar as ações necessárias para implementar um novo hábito.

Para complemento deste texto, sugiro vivamente a leitura do livro A Força do Hábito, de Charles Duhigg. É um livro fundamental para todos os que pretendem alterar hábitos. Mesmo em contexto empresarial, isto porque há hábitos coletivos, é uma obra que ajuda quer a desmistificar hábitos não saudáveis quer a programar hábitos saudáveis.

O lado sombra e o lado luz dos hábitos que temos influenciam diretamente os nossos resultados. Perceber como nos posicionamos perante os nossos hábitos é um processo de autoconhecimento. É ter autoconsciência efetiva do que podemos alterar para vivermos de acordo com o que consideramos ser benévolo para nós.

Sugiro-lhe que, além de ler o livro, faça uma lista dos hábitos que quer alterar. Veja e sinta até que ponto a sua vida depende do que faz, regular e constantemente. Não se iluda com as falsas recompensas que possam advir de um mau hábito. Afinal, a sua mente já foi treinada para desempenhar certos comportamentos. Cabe a si mostrar o contrário.

Desejo-lhe momentos inspiradores.

Boas leituras.

Sentir a vida